INDICE

 

 

 

 

 

 

I PARTE – HISTÓRIA DA ARTE

 

Teatro - Origens e desenvolvimento

Teatro na antiguidade

Teatro medieval

Teatro renascentista

Comédia Dell’Arte

Barroco

Neoclassicismo

Romantismo

Realismo

Simbolismo

Teatro no Século XX

 

Teatro no Brasil

 

Romantismo

 

Realismo

 

Simbolismo

 

Modernismo

 

Companhias nacionais

 

Modernização no teatro

 

Preocupação social no teatro

 

A contestação no teatro

 

Censura

 

Novas propostas

 

Tendências atuais

 

 

 

 

II PARTE – APOSTILA TÉCNICA

O teatro como espaço físico

Divisões do palco italiano

Encenadores

Expressões do ator

Exercícios práticos

 Leitura complementar

 

 

 

 

 

 

 

Teatro – Origens e desenvolvimento

      É a arte da representação de obras dramáticas, feita por atores e com a presença do público. O texto pode ser escrito, improvisado ou, como na mímica, nem existir. Entre os recursos usados em uma montagem estão cenário, figurino, iluminação e som.

Origem - A origem do teatro pode ser remontada desde as primeiras sociedades primitivas, em que acreditava-se no uso de danças imitativas como propiciadores de poderes sobrenaturais que controlavam todos os fatos necessários à sobrevivência (fertilidade da terra, casa, sucesso nas batalhas etc), ainda possuindo também caráter de exorcização dos maus espíritos. Portanto, o teatro em suas origens possuía um caráter ritualístico.

      Com o desenvolvimento do domínio e conhecimento do homem em relação aos fenômenos naturais, o teatro vai deixando suas características ritualistas, dando lugar às características mais educacionais. Ainda num estágio de maior desenvolvimento, o teatro passou a ser o lugar de representação de lendas relacionadas aos deuses e heróis.

      Na Grécia antiga, os festivais anuais em honra ao deus Dioniso (Baco, para os romanos) compreendiam, entre seus eventos, a representação de tragédias e comédias. As primeiras formas dramáticas na Grécia surgiram neste contexto, inicialmente com as canções dionisíacas (ditirambos).

Tragédia - Obra teatral em verso, de caráter grandioso, dramático e funesto, em que intervêm personagens ilustres ou heróicas e que é capaz de infundir terror e piedade. Segundo Aristóteles, tragédia é a obra cujo conteúdo é dramático, e não necessariamente o fecho.

Comédia - É uma peça teatral que provoca o riso, retratando costumes, vícios e o ridículo da sociedade, numa sucessão de situações inesperadas.

Farsa - Na Idade Média, era um “entremês” cômico incluído na representação de um mistério e, a partir do século XVIII, peça cômica que apresenta de maneira satírica os costumes e a vida cotidiana, com recursos de tortas na cara, pontapés no traseiro, socos, tombos etc.

Sátira - Na literatura latina, obra de caráter livre (no gênero, na forma, na métrica), e que censurava os costumes, as instituições e as idéias contemporâneas em estilo irônico ou mordaz.

Pantomina - Peça de qualquer gênero, em que o(s) ator(es) se manifesta(m) simplesmente por gestos, expressões corporais ou fisionômicas, prescindindo da palavra e da música, que pode ser, também, sugerida por meio de movimentos; mímica.

Vaudeville - Comédia leve e muito movimentada, que originariamente comportava cenas cantadas e passou, em seguida, a caracterizar-se pelos qüiproquós, e por situações imprevistas e intriga complexa.

      As tragédias compunham-se de cinco partes distintas:

1.      Prólogo - Cena preliminar, que pode faltar;

2.      Párodos - Canto do coro que entra ao ritmo da dança;

3.      Episódios ­- Correspondentes aos nossos Atos, separados uns dos outros pelos Estásimos;

4.      Stásima - Cantos do coro nos intervalos dos Episódios;

5.      Êxodo - Canto coral de saída.

 

 

Teatro na Antiguidade

      No século VI a.C., na Grécia, surge o primeiro ator quando o Corifeu[1] Téspis destaca-se do coro e, avançando até a frente do palco, declara estar representando o deus Dioniso. É dado o primeiro passo para o teatro como o conhecemos hoje. Em Roma os primeiros jogos cênicos datam de 364 a.C. A primeira peça, traduzida do grego, é representada em 240 a.C. por um escravo capturado em Tarento. Imita-se o repertório grego, misturando palavra e canto, e os papéis são representados por atores masculinos mascarados, escravos ou libertos.

Vestimentas - Os atores gregos, todos homens, mesmo para encarnar papéis femininos, deviam se apresentar ampliados para representar heróis sobre-humanos. Os trajes que os atores vestiam não eram históricos, mas convencionais, graças a uma estilizada transformação dos trajes que se usavam na vida contemporânea. Dessa forma, todos os atores gregos calçavam coturnos de sola extraordinariamente alta, vestiam roupas aumentadas com enchimentos e usavam grandes máscaras.

      O traje principal do ator era o “chiton” (quiton), espécie de túnica larga até os pés, mas diferente da comum porque tinha as mangas largas. Não era branca, mas de várias cores, presa por um cinturão abaixo do peito do ator. Havia, também, a “clâmide”, manto curto, levado no ombro esquerdo e o “himation”, manto largo sobre o ombro.

GRÉCIA


      Do século VI a.C. ao V d.C., em Atenas, o tirano Pisístrato organiza o primeiro concurso dramático (534 a.C.). Apresentam-se comédias, tragédias e sátiras, de tema mitológico, em que a poesia se mescla ao canto e à dança. O texto teatral retrata, de diversas maneiras, as relações entre os homens e os deuses. No primeiro volume da Arte poética, Aristóteles formula as regras básicas para a arte teatral: a peça deve respeitar as unidades de tempo (a trama deve desenvolver-se em 24h), de lugar (um só cenário) e de ação (uma só história).

      Os escritores participavam, muitas vezes, tanto das atuações como dos ensaios e da idealização das coreografias. O espaço utilizado para as encenações, em Atenas, era apenas um grande círculo. Com o passar do tempo, grandes inovações foram sendo adicionadas ao teatro grego, como a profissionalização, a estrutura dos espaços cênicos (surgimento do palco elevado) etc. Os escritores dos textos dramáticos cuidavam de praticamente todos os estágios das produções.

Autores gregos - Dos autores de que se possuem peças inteiras, Ésquilo (Prometeu acorrentado) trata das relações entre os homens, os deuses e o Universo. Sófocles (Édipo Rei) e Eurípides (Medéia) retratam o conflito das paixões humanas. Do final do século IV a.C. até o início do século III a.C., destacam-se a "comédia antiga" de Aristófanes (Lisístrata), que satiriza as tradições e a política atenienses; e a "comédia nova", que com Menandro (O misantropo) critica os costumes.

ÉSQUILO, poeta grego (Elêusis, c. 525 Gela, Sicília, 456 a.C.). É o mais antigo escritor de tragédias gregas de quem ficaram peças na íntegra. Escreveu cerca de 80 peças, das quais sete sobreviveram. Estas sete peças revelam um artista profundamente patriótico e religioso que deu maturidade à tragédia grega. Antes de Ésquilo, as tragédias possuíam um único ator que apenas respondia às perguntas e sugestões do coro. Ésquilo aumentou o número de atores para dois. Esse acréscimo trouxe mais vida às relações entre os personagens.As peças de Ésquilo, hoje em dia, podem parecer lentas e obscuras. Suas tragédias, porém, contêm uma riqueza de linguagem e uma complexidade de pensamento comparáveis às do teatrólogo inglês William Shakespeare. A maior obra de Ésquilo é a Orestíada, composta de três peças que formam um só drama. Essas peças são Agamêmnon, Coéforas e Eumênides. Nelas, Ésquilo transformou a violência que sucedeu ao retorno do rei Agamêmnon, vindo de Tróia, num drama sobre a reconciliação entre o sofrimento humano e o poder divino. As outras peças de Ésquilo que sobreviveram chamam-se Os persas, Os sete contra Tebas, As suplicantes e Prometeu acorrentado.

 

SÓFOCLES, poeta trágico da Grécia (Colona, entre 496 e 494 a.C. Atenas, 406 a.C.) Foi, cronologicamente, o segundo poeta trágico dos três grandes. Os outros foram Ésquilo e Eurípides.
As tragédias de Sófocles não tratavam dos problemas abstratos da culpa e do castigo através de várias gerações, como no caso de Ésquilo. Tratavam de uma luta específica de um indivíduo forte contra o destino. Enquanto Ésquilo necessitava de trilogias para um tema, Sófocles escrevia uma só peça.
Seu enredo básico geralmente mostra personagens fortes que escolhem um caminho que pode ser desaprovado pelo coro ou pelos personagens menores. Esse caminho custa-lhes sofrimento e morte, mas os torna mais nobres e, de certa forma, traz algum benefício à humanidade. Sófocles não criava personagens comuns para criticar a moral convencional, como fazia Eurípides. Aristóteles afirmou que Sófocles retratava as pessoas tal como elas deveriam ser; Eurípides, tal como elas eram.
Do ponto de vista artístico e da construção dramática, as peças de Sófocles são mais bem acabadas do que as de Ésquilo e de Eurípides. Aristóteles as considerava como modelos. Sófocles acrescentou um terceiro ator à cena, fixou o tamanho do coro em 15 figurantes e utilizou a pintura de cenários. Suas peças contêm intriga e suspense. Das 100 ou mais peças que escreveu, apenas sete sobreviveram integralmente (Ajax, Antígona, As traquinianas, Édipo rei, Electra, Filocteto
e Édipo em Colona) e um fragmento de quatrocentos versos de Os investigadores. Em Édipo Rei o filho mata o pai e casa-se com a própria mãe, cumprindo uma profecia do Oráculo de Delfos. Inspirado nessa história, Sigmund Freud formula o complexo de Édipo.
Sófocles viveu durante o período mais brilhante da vida de Atenas. Recebeu diversos prêmios e foi amado por todos. Uma de suas maiores peças, Édipo em Colona, foi escrita quando beirava os 90 anos.

 

EURÍPIDES, terceiro dos três grandes escritores da tragédia grega (Salamina, 480 Macedônia, 406 a.C.). Como Ésquilo e Sófocles, valeu-se dos mesmos heróis mitológicos. Apresentou os heróis, entretanto, como cidadãos atenienses comuns, usando suas peças para criticar as idéias políticas, sociais e religiosas da época. Em comparação com os teatrólogos anteriores, sua linguagem era bem mais simples e seus enredos mais complicados. Suas idéias, porém, nem sempre eram bem aceitas. Em alguns casos, ofendeu escritores e políticos de seu tempo. Aristófanes satirizou-o em diversas comédias. As peças de Eurípides, entretanto, têm sido remontadas com mais freqüência do que as de seus rivais.Das 90 peças, ou quase isso, que escreveu, permaneceram 18 tragédias e uma sátira (uma espécie de comédia apresentada como conclusão de uma trilogia). A sátira chama-se O cíclope. As tragédias são: Alceste, Medéia, A Heracléa, Hipólito, Andrômaca, Hécuba, As suplicantes, Héracles, As mulheres de Tróia, Electra, Ifigênia em Táurida, Helena, As fenícias, Orestes, Íon, As Bacantes, Ifigênia em Áulida e Resa. Algumas de suas tragédias constituíram modelos para teatrólogos posteriores.Eurípides educou-se em Atenas. Quando jovem, foi treinado para ser um atleta. Estudou igualmente filosofia e literatura. Entre seus instrutores, achavam-se os filósofos Anaxágoras e Protágoras. Eurípides começou a escrever peças antes da idade de 20 anos e participou de um concurso para teatrólogos com 25 anos. Daí por diante, escreveu regularmente. Tornou-se amigo íntimo do filósofo Sócrates, atribuindo-se a Sócrates certa influência em suas obras.Quando tinha cerca de 71 anos, Eurípides deixou Atenas. Foi para a Tessália, no norte da Grécia, e de lá para a Macedônia. Suas duas últimas peças, As bacantes e Ifigênia em Áulida, ele as escreveu quando se encontrava na corte do rei Arcelaus, da Macedônia. Por ocasião da morte de Eurípides, Sófocles, seu rival, pediu que os atores usassem luto na peça que estavam apresentando.

 

ARISTÓFANES, poeta cômico grego (Atenas, c. 445 a.C. m. c. 386 a.C.). Foi o maior escritor de comédias da Grécia antiga.
Suas peças combinam fantasia, senso de humor e graciosos poemas líricos com uma séria crítica da política, da conduta, da educação, da música e da literatura. Era um mestre do verso e do ritmo, e tinha uma imaginação rica.
Suas comédias fornecem nosso melhor quadro de Atenas em seu período mais interessante. Aristófanes começou a produzir comédias antes de completar 20 anos.
Escreveu 44 peças, 11 das quais sobreviveram. São elas Os arcanianos
(425), Os cavaleiros (424), As nuvens (423), As vespas (422), A paz (421), Os pássaros (416), Lisístrata (411), As convocadas (411), As rãs (405) A assembléia das mulheres (393?) e Pluto (388). A assembléia de mulheres e Pluto tratam de problemas sociais; em As aves ridiculariza as utopias políticas.
As peças mais populares de Aristófanes são As rãs,
que criticava Eurípides; As nuvens, que satirizava Sócrates; Os pássaros, uma fantasia sobre uma cidade no céu; e Lisístrata, um apelo pela paz parcialmente em tom de farsa.

Espaço cênico grego - Os teatros são construídos em áreas de terra batida, com degraus em semicírculo para abrigar a platéia. A área da platéia é chamada de teatron e o conjunto de edificações recebe o nome de odeion. O palco é de tábuas, sobre uma armação de alvenaria, e o cenário é fixo, com três portas: a do palácio, no centro; a que leva à cidade, à direita; e a que vai para o campo, à esquerda. Essa estrutura de palco permanecerá até o fim da Renascença. Na fase áurea, teatros, como o de Epidauro - Ver foto ao lado - perto de Atenas, já são de pedra e situam-se em locais elevados, próximos aos santuários em honra a Dioniso.

 

ROMA


      Predomina a comédia. A tragédia é cheia de situações grotescas e efeitos especiais. Durante o Império Romano (de 27 a.C. a 476 d.C.) a cena é dominada por pantomimas, exibições acrobáticas e jogos circenses.

Autores romanos - Na comédia destaca-se Plauto (A panelinha), no século III a.C., e Terêncio (A garota de Ândria), no século II a.C. Suas personagens estereotipadas darão origem, por volta do século XVI, aos tipos da commedia dell'arte. Da tragédia só sobrevivem completas as obras de Sêneca (Fedra), que substituem o despojamento grego por ornamentos retóricos.

Plauto ( 254 a.C.?-184 a.C.), além de dramaturgo romano, possivelmente trabalha também como ator. Adapta para Roma enredos de peças gregas e introduz nos textos expressões do dia-a-dia, além de utilizar uma métrica elaborada. Plauto se serviu de temas da comédia nova grega. Suas personagens anunciam já os tipos da Commedia dell’arte. Deu à comédia latina uma extraordinária projeção. Seus textos alegres são adaptados várias vezes ao longo dos séculos e influenciam diversos autores posteriores, entre eles Shakespeare e Molière.

      Das cento e vinte comédias atribuídas a ele, somente vinte estão sendo reconhecidas como de sua autoria. As mais conhecidas são: Anfitrião, Aululária e O Soldado Fanfarrão.

Espaço cênico romano - Até 56 a.C. as encenações teatrais romanas são feitas em teatros de madeira; depois, surgem construções de mármore e alvenaria - Ver foto ao lado -, no centro da cidade. Com o triunfo do cristianismo, os teatros são fechados até o século X.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

Teatro medieval

      É marcante do século X ao início do século XV e tem grande influência no século XVI. A princípio são encenados dramas litúrgicos em latim, escritos e representados por membros do clero. Os fiéis participam como figurantes e, mais tarde, como atores e misturam ao latim a língua falada no país. As peças, sobre o ciclo da Páscoa ou da Paixão, são longas, podendo durar vários dias. A partir dos dramas religiosos, formam-se grupos semiprofissionais e leigos, que se apresentam na rua. Os temas ainda são religiosos, mas o texto tem tom popular e inclui situações tiradas do cotidiano. Na França, os jeux (jogos) contam histórias bíblicas.

      A proibição dos mistérios pela Igreja, em 1548 já na idade moderna, tenta pôr fim à mistura abusiva do litúrgico e do profano. Essa medida consolida o teatro popular. Os grupos se profissionalizam e dois gêneros se fixam: as comédias bufas, chamadas de soties (tolices), com intenções políticas ou sociais; e a farsa, como a de Mestre Pathelin, que satiriza o cotidiano. Seus personagens estereotipados e a forma como são ironizados os acontecimentos do dia-a-dia reaparecem no vaudeville, que no século XVII será apresentado nos teatros de feira.

Autores medievais - No século XII, Jean Bodel é o autor do Jogo de Adam e do Jogo de Saint Nicolas. Os miracles (milagres), como o de Notre-Dame (século XV), de Théophile Rutebeuf, contam a vida dos santos. E, nos mistérios, como o da Paixão (1450), de Arnoul Gréban, temas religiosos e profanos se misturam. A comédia é profana, entremeada de canções. O Jogo de Robin et de Marion (1272), de Adam de la Halle, é um dos precursores da ópera cômica.

Espaço cênico medieval - O interior das igrejas é usado inicialmente como teatro. Quando as peças tornam-se mais elaboradas e exigem mais espaço, passam para a praça em frente à igreja. Palcos largos dão credibilidade aos cenários extremamente simples. Uma porta simboliza a cidade; uma pequena elevação, uma montanha; uma boca de dragão, à esquerda, indica o inferno; e uma elevação, à direita, o paraíso. Surgem grupos populares que improvisam o palco em carroças e se deslocam de uma praça a outra.

 

 

 

Teatro renascentista

      Do século XV ao XVI. Prolonga-se, em alguns países, até o início do século XVII. O teatro erudito, imitando modelos greco-romanos, é muito acadêmico, com linguagem pomposa e temática sem originalidade. Mas, em vários países, o teatro popular mantém viva a herança medieval. As peças são cheias de ação e vigor, e o ser humano é o centro das preocupações.

ITÁLIA


      Em reação ao teatro acadêmico surgem, na Itália, a pastoral, de assunto campestre e tom muito lírico (Orfeo, de Angelo Poliziano); e a commedia dell'arte. As encenações da commedia dell'arte baseiam-se na criação coletiva. Os diálogos são improvisados pelos atores, que se especializam em personagens fixos: Colombina, Polichinelo, Arlequim, o capitão Matamoros e Pantalone. Os cenários são muito simples - um telão pintado com a perspectiva de uma rua. Na commedia, surgem atrizes representando mulheres. Mais tarde, comediógrafos como Molière, Marivaux, Gozzi e Goldoni vão inspirar-se em seus tipos. A primeira companhia de commedia dell'arte é I Gelosi (os ciumentos), dos irmãos Andreini, fundada em 1545. Como autor deste período destaca-se Maquiavel. Sua peça A mandrágora, é considerada uma das melhores comédias italianas.

INGLATERRA


      O teatro elizabetano tem seu auge de 1562 a 1642. As peças caracterizam-se pela mistura sistemática de sério e cômico; pelo abandono das unidades aristotélicas clássicas; pela variedade na escolha dos temas, tirados da mitologia, da literatura medieval e renascentista, e da história; e por uma linguagem que mistura o verso mais refinado à prosa mais descontraída.

Autores elizabetanos - O maior nome do período é o de William Shakespeare. Além dele se destacam Christopher Marlowe (Doutor Fausto), Ben Jonson (Volpone) e Thomas Kyd (Tragédia espanhola).

 

William Shakespeare (1564-1616) nasce em Stratford-upon-Avon e mora em Londres durante parte da vida. Alguns historiadores contestam a autoria de sua obra por a acharem muito culta para um homem que não pertencia à nobreza. Mas a maioria dos críticos o considera o maior dramaturgo de todos os tempos. Sua técnica é extremamente pessoal e sintonizada com sua época. Em suas tragédias (Romeu e Julieta, Macbeth, Hamlet, Rei Lear - ver foto ao lado - ou Otelo), comédias (A tempestade, A megera domada, Sonhos de uma noite de verão) ou dramas históricos (Henrique V), demonstra uma profunda visão do mundo, o que faz com que sua obra exerça influência sobre toda a evolução posterior do teatro.

Espaço cênico elizabetano - A casa de espetáculos, de forma redonda ou poligonal, tem palco em até três níveis para que várias cenas sejam representadas simultaneamente. Circundando o interior do edifício, num nível mais elevado, ficam as galerias para os espectadores mais ricos. Os mais simples ficam em pé, quase se misturando aos atores no nível inferior do palco. Uma cortina ao fundo modifica o ambiente.

ESPANHA


      Entre os séculos XVI e XVII o teatro espanhol chega ao apogeu. As regras eruditas são desprezadas e as formas originárias das apresentações populares são incorporadas em peças de ritmo rápido, com ações que se entrecruzam. Temas mitológicos, misturados a elementos locais, estão impregnados de sentimento religioso.

Autores espanhóis - Destacam-se Fernando Rojas (Celestina), Miguel de Cervantes (Numância), Felix Lope de Vega (O melhor juiz, o rei), Pedro Calderón de la Barca (A vida é sonho) e Tirso de Molina (O burlador de Sevilha).

Espaço cênico espanhol - As casas de espetáculos são chamadas de corrales, pois o palco, em diversos níveis e sem cenários, fica no centro de um pátio coberto.

 

 

 

 

Comédia Dell'Arte

      Forma teatral única no mundo, desenvolveu-se na Itália no século XVI e difundiu-se em toda Europa nos séculos sucessivos, a Commedia dell’arte contribuiu na construção do teatro moderno.

      Teatro espetacular baseado na improvisação e no uso de máscaras e personagens estereotipados, é um gênero rigorosamente antinaturalista e antiemocionalista.

O Texto - O que mais atrai o olhar contemporâneo nas leituras dos canovacci da commedia dell’arte, é a inconsistência deles no que se refere ao conteúdo. Sendo a comédia um espetáculo ligado fortemente a outros valores como as máscaras, a espetacularidade da recitação, habilidade dos atores, a presença de mulheres na cena, etc..., não tinha necessidade de compor dramaturgias exemplares, novidades de conteúdos ou estilos.

      O canovaccio devia obedecer a requisitos de outro tipo, todos funcionais ao espetáculo: clareza, partes equivalentes para todos os atores envolvidos, ser engraçado, possibilidade de inserir lazzi, danças e canções, disponibilidade a ser modificado. A técnica de improviso que a commedia adotou não prescindiu de fórmulas que facilitassem ao ator o seu trabalho. Diálogos inteiros existiam, muitos deles impressos, para serem usados nos lugares convenientes de cada comédia. Tais eram as prime uscite (primeiras saídas), os concetti (conceitos), saluti (as saudações), e as maledizioni (as maldições).

      Na sua fase áurea, o espetáculo da commedia dell’arte tinha ordinariamente três atos, precedidos de um prólogo e ligados entre si por entreatos de dança, canto ou farsa chamados lazzi ou lacci (laços).

      A intriga amorosa, que explorou sem limites, já não era linear e única, como na comédia humanista, mas múltipla e paralela ou em cadeia: A ama B, B ama C, C ama D, que por sua vez ama A.

O Encenador - O espetáculo da commedia era construído com rigor, sob a orientação de um concertatore, equivalente do diretor do teatro moderno, e de um certo modo seu inspirador. Aquele, por sua vez, tinha à disposição séries numerosas de scenari, minudendes roteiros de espetáculos, conservados presentemente em montante superior a oitocentos; muitos ainda existem nos arquivos italianos e estrangeiros sem terem sido arrolados.

O Ator - O ator na commedia dell’arte, tinha um papel fundamental cabendo-lhe não só a interpretação do texto, mas também a contínua improvisação e inovação do mesmo. Malabarismo canto e outros feitos eram exigidos continuamente ao ator.

      O uso das mascaras (exclusivamente para os homens) caracterizava os personagens geralmente de origem popular: os zanni, entre os mais famosos vale a pena citar Arlequim, Pantaleão e Briguela.

      A enorme fragmentação e a quantidade de dialetos existentes na Itália do século XVI obrigavam o ator a um forte uso da mímica que se tornou um dos mais importantes fatores de atuação no espetáculo.

      O ator na commedia dell’arte precisava ter "uma concepção plástica do teatro" exigida em todas as formas de representação e a criação não apenas de pensamentos como de sentimentos através do gesto mímico, da dança, da acrobacia, consoante as necessidades, assim como o conhecimento de uma verdadeira gramática plástica, além desses dotes do espírito que facilitam qualquer improvisação falada e que comandam o espetáculo.

      A enorme responsabilidade que tinha o ator em desenvolver o seu papel, com o passar do tempo, portou a uma especialização do mesmo, limitando-o a desenvolver uma só personagem e a mantê-la até a morte.

      A contínua busca de uma linguagem puramente teatral levou o gênero a um distanciamento cada vez maior da realidade. A commedia foi importante, sobretudo, como reação do ator a uma era de acentuado artificialismo literário, para demonstrar que, além do texto dramático, outros fatores são significativos no teatro.

O Teatro - Devido às origens extremamente populares, a commedia dell’arte por longo tempo não dispôs de espaços próprios para as encenações. Palcos improvisados em praças públicas eram os lugares onde a maioria das vezes ocorria o espetáculo. Só no século XVII e mesmo assim esporadicamente a commedia começou a ter acesso aos teatros que tinham uma estrutura tipicamente renascentista, onde eram representados espetáculos eruditos. Já no século XVIII a enorme popularidade deste tipo de representação forçou a abertura de novos espaços para as companhias teatrais. Em Veneza, por exemplo, existiam sete teatros: dois consagrados à opera séria, dois à opera bufa e três à comédia.

 

 

 

Barroco

      Significativo durante o século XVII. Chamado de a arte da contra-reforma, o barroco é, ao mesmo tempo, uma reação ao materialismo renascentista e às idéias reformistas de Lutero e Calvino e um retorno à tradição cristã. O espírito da época é atormentado, cheio de tensão interna, marcado pela sensação da transitoriedade das coisas, pessimista e com gosto pelo macabro. A princípio sóbrio e depurado, torna-se, com o tempo, rebuscado, com abundância de metáforas.

FRANÇA


      O teatro francês, ao contrário do inglês e do espanhol, consegue adaptar-se ao gosto refinado do público aristocrático a que se destina. Obedece a regras muito rigorosas: o tema é obrigatoriamente imitado de um modelo greco-romano; as unidades aristotélicas têm de ser respeitadas; a regra do "bom gosto" exige que a ação, de construção lógica e coerente, nunca mostre situações violentas ou ousadas; o texto, em geral em versos alexandrinos, é muito poético. A fundação da Comédie Française por Luís XIV (1680) transforma o teatro numa atividade oficial, subvencionada pelo Estado.

Autores franceses - Em Cid, Pierre Corneille descreve o conflito entre o sentimento e a razão; e esta última é vitoriosa. Jean Racine (Fedra) pinta personagens dominados por suas paixões e destruídos por elas. Em suas comédias, Molière cria uma galeria de tipos (O avarento, O burguês fidalgo) que simbolizam as qualidades e os defeitos humanos. Em todos esse autores se notam traços que vão se fortalecer no neoclassicismo.

Molière (1622-1673), pseudônimo de Jean-Baptiste Poquelin. Filho de um rico comerciante, tem acesso a uma educação privilegiada e é desde cedo atraído pela literatura e a filosofia. Suas comédias, marcadas pelo cotidiano da época, são capazes de criticar tanto a hipocrisia da nobreza - ver foto ao lado - quanto a avidez do burguês ascendente. Suas principais obras são O avarento, O burguês fidalgo, Escola de mulheres, Tartufo, O doente imaginário. Molière morreu durante uma apresentação desta última.

INGLATERRA


      Um período de crise começa quando, após a Revolução Puritana, em 1642, Oliver Cromwell fecha os teatros. Essa situação perdura até a Restauração (1660).

Autores ingleses - No início do século XVII, destacam-se John Webster (A duquesa de Malfi) e John Ford (Que pena que ela seja uma prostituta). Depois da Restauração os nomes mais importantes são os dos colaboradores Francis Beaumont e John Fletcher (Philaster).

ITÁLIA


      O teatro falado é pouco original, copiando modelos da França. Mas na ópera ocorrem revoluções que modificam o gênero dramático como um todo. Em 1637, a Andrômeda, de Francesco Manelli, inaugura o teatro da família Tron, no bairro veneziano de San Cassiano, modelo para casas futuras.

Espaço cênico italiano - Troca-se a cena reta greco-romana pelo "palco italiano", com boca de cena arredondada e luzes na ribalta, escondidas do público por anteparos. Pela primeira vez é usada uma cortina para tampar a cena. As três portas da cena grega são substituídas por telões pintados que permitem efeitos de perspectiva e é introduzida a maquinaria para efeitos especiais. Apagam-se as luzes da sala durante o espetáculo, para concentrar a atenção do público no palco. Há uma platéia e camarotes, dispostos em ferradura. A ópera torna-se tão popular que, só em Veneza, no século XVII, funcionam regularmente 14 teatros.

 

 


 

Neoclassicismo

      Durante o século XVIII. O padrão de criação dramatúrgica segue a tradição dos textos gregos e romanos da Antiguidade clássica, privilegiando uma abordagem racional. O sentimento religioso é forte, e as atitudes humanas são julgadas de acordo com a moral da época.

FRANÇA


      A tragédia francesa não se renova: as peças de Voltaire são solenes e inanimadas. A comédia, entretanto, se revitaliza com Pierre Marivaux (O jogo do amor e do acaso), cujo tema central é o comportamento amoroso; e com Augustin Caron de Beaumarchais (O barbeiro de Sevilha, As bodas de Fígaro), que faz o retrato da decadência do Antigo Regime. O filho natural, "drama burguês" de Denis Diderot, já prenuncia o romantismo.

ITÁLIA


      As obras mais originais são as comédias de Carlo Gozzi (O amor de três laranjas) e Carlo Goldoni (A viúva astuciosa, Arlequim servidor de dois amos). Metastasio (pseudônimo de Pietro Trapassi) escreve melodramas solenes, mas de fértil imaginação, populares como libretos de ópera (um deles, Artaserse, é musicado por mais de 100 compositores).

ALEMANHA


      Na virada do século, o movimento Sturm und Drang (Tempestade e Ímpeto) faz a transição entre o racionalismo iluminista e o emocionalismo romântico.

Autores alemães - Johann Wolfgang von Goethe (Fausto), Friedrich von Schiller (Don Carlos, Wallenstein) e Heinrich von Kleist (Kaetchen von Heilbronn) influenciarão as gerações seguintes em todos os países.

 

 

Romantismo

      Primeira metade do século XIX. Com a ascensão da burguesia após a Revolução Francesa, o teatro adapta-se à mudança de gosto do público. A peça séria romântica evolui não da tragédia, mas da comédia setecentista, que trabalhava com personagens reais e situações mais próximas do dia-a-dia. Os dramas adquirem estrutura muito livre, com uma multiplicidade de episódios entrecruzados que se desenvolvem, através de cenas curtas, em diversos locais. Há uma grande valorização do teatro de Shakespeare. No prefácio ao drama Cromwell (1827), Victor Hugo enumera novos princípios para o teatro que põe em prática no Hernani e no Rui Blas: abandono das unidades aristotélicas; desprezo pela regra do "bom gosto", que impedia a exibição de cenas chocantes; troca da linguagem nobre e neutra pelo uso de construções coloquiais ou populares; e preferência por temas extraídos da história européia.

Autores românticos - Muitas peças são feitas apenas para serem lidas. No Lorenzaccio, de Alfred de Musset, ou no Chatterton, de Alfred de Vigny, há o predomínio da emoção sobre a razão; a atração pelo fantástico, o misterioso e o exótico; e um sentimento nacionalista muito forte. Os franceses influenciam italianos, como Vittorio Alfieri (Saul); ingleses, como lorde George Byron (Marino Faliero) ou Percy Shelley (Os Cenci); espanhóis, como José Zorilla (Don Juan Tenório); e portugueses, como Almeida Garrett (Frei Luís de Souza).

Espaço cênico romântico - Uma vez mais, a ópera contribui para o enriquecimento das montagens: no Teatro da Ópera de Paris, Pierre-Luc Cicéri e Louis Daguerre, o inventor da fotografia, revolucionam a construção de cenários, a técnica da iluminação à base de gás e os recursos para a produção dos efeitos especiais.

 

 

Realismo

      Na segunda metade do século XIX, o melodrama burguês rompe com o idealismo romântico e dá preferência a histórias contemporâneas, com problemas reais de personagens comuns. A partir de 1870, por influência do naturalismo, que vê o homem como fruto das pressões biológicas e sociais, os dramaturgos mostram personagens condicionados pela hereditariedade e pelo meio.

Autores realistas - Numa fase de transição, Tosca, de Victorien Sardou, O copo d'água, de Eugène Scribe, ou A dama das camélias, de Alexandre Dumas Filho, já têm ambientação moderna. Mas as personagens ainda têm comportamento tipicamente romântico. Na fase claramente realista o dinamarquês Henryk Ibsen discute a situação social da mulher (Casa de bonecas), a sordidez dos interesses comerciais, a desonestidade administrativa e a hipocrisia burguesa (Um inimigo do povo). Na Rússia, Nikolai Gogol (O inspetor geral) satiriza a corrupção e o emperramento burocrático; Anton Tchekhov (O jardim das cerejeiras) e Aleksandr Ostrovski (A tempestade) retratam o ambiente provinciano e a passividade dos indivíduos diante da rotina do cotidiano; e em Ralé e Os pequenos burgueses, Maksim Gorki (pseudônimo de Aleksei Peshkov) mostra a escória da sociedade, debatendo-se contra a pobreza, e a classe média devorada pelo tédio. O irlandês William Butler Yeats (A condessa Kathleen) faz um teatro nacionalista impregnado de folclore; seu compatriota Oscar Wilde (O leque de lady Windermere) retrata a elegância e a superficialidade da sociedade vitoriana; e George Bernard Shaw (Pigmalião, O dilema do médico) traça um perfil mordaz de seus contemporâneos.

Henryk Ibsen (1828-1906) nasce na Noruega, filho de um comerciante falido, estuda sozinho para ter acesso à universidade. Dirige o Teatro Norueguês de Kristiania (atual Oslo). Viaja para a Itália com as despesas pagas por uma bolsa e lá escreve três peças que são mal-aceitas na Noruega. Fixa residência em Munique, só voltando ao seu país em 1891. É na Alemanha que escreve Casa de bonecas e Um inimigo do povo.

Anton Tchekhov (1860-1904) é filho de um quitandeiro. Em 1879, parte para Moscou com uma bolsa de estudos para medicina. Paralelamente, escreve muito. Seus contos mostram o cotidiano do povo russo e estão entre as obras-primas do gênero. Entre suas peças destacam-se A gaivota e O jardim das cerejeiras. É um inovador do diálogo dramático e retrata o declínio da burguesia russa.

Espaço cênico realista - Busca-se uma nova concepção arquitetônica para os teatros, que permita boas condições visuais e acústicas para todo público. O diretor e o encenador adquirem nova dimensão. André Antoine busca uma encenação próxima à vida, ao natural, usando cenários de um realismo extremo. Na Rússia, o diretor Konstantin Stanislavski cria um novo método de interpretação.

Konstantin Stanislavski - ver foto ao lado - (1863-1938), pseudônimo de Konstantin Sergueievitch Alekseiev, nasce em Moscou. Criado no meio artístico, cursa durante um tempo a escola teatral. Passa a dirigir espetáculos e, junto com Nemorovitch-Dantchenko, cria o Teatro de Arte de Moscou, pioneiro na montagem de Tchekhov. Cria um método de interpretação em que o ator deve "viver" o personagem, incorporando de forma consciente sua psicologia. Seu livro A Preparação do ator, é divulgado em todo o mundo e seu método é usado em escolas como o Actor’s Studio, fundado nos EUA, na década de 30, por Lee Strasberg.

 

 

 

 

Simbolismo

      A exemplo do realismo, tem seu auge durante a segunda metade do século XIX. Além de rejeitarem os excessos românticos, os simbolistas negam também a reprodução fotográfica dos realistas. Preferem retratar o mundo de modo subjetivo, sugerindo mais do que descrevendo. Para eles, motivações, conflitos, caracterização psicológica e coerência na progressão dramática têm importância relativa.

Autores simbolistas - Os personagens do Pelleas e Melisande, do belga Maurice Maeterlinck, por exemplo, são mais a materialização de idéias abstratas do que seres humanos reais. Escritores como Ibsen, Strindberg, Hauptmann e Yeats, que começam como realistas, evoluem, no fim da carreira, para o simbolismo. Além deles, destacam-se o italiano Gabriele d'Annunzio (A filha de Iorio), o austríaco Hugo von Hofmannsthal (A torre) e o russo Leonid Andreiev (A vida humana).

Auguste Strindberg (1849-1912) nasce em Estocolmo, Suécia, e é educado de maneira puritana. Sua vida pessoal é atormentada. Divorcia-se três vezes e convive com freqüentes crises de esquizofrenia. Strindberg mostra em suas peças - como O pai ou A defesa de um louco - um grande antagonismo em relação às mulheres. Em Para Damasco cria uma obra expressionista que vai influenciar diversos dramaturgos alemães.

Espaço cênico simbolista - Os alemães Erwin Piscator e Max Reinhardt e o francês Aurélien Lugné-Poe recorrem ao palco giratório ou desmembrado em vários níveis, à projeção de slides e títulos explicativos, à utilização de rampas laterais para ampliar a cena ou de plataformas colocadas no meio da platéia. O britânico Edward Gordon Craig revoluciona a iluminação usando, pela primeira vez, a luz elétrica; e o suíço Adolphe Appia reforma o espaço cênico criando cenários monumentais e estilizados.

 

 

 

Teatro no Século XX

      A partir da virada do século, autores como os irlandeses Sean O'Casey (O arado e as estrelas) e John Millington Synge (O playboy do mundo ocidental) ainda escrevem textos realistas. Mas surgem inúmeras outras tendências.

EXPRESSIONISMO


Introdução - Para realmente entendermos  o movimento expressionista, necessitamos conhecer a visão do mundo alemão. Sem duvida tanto o romantismo quanto o expressionismo são os dois movimentos artísticos que mais refletem a cultura alemã. Longe de afirmarmos que estes movimentos sejam exclusividade do povo alemão eles apenas demonstram respectivamente a passionalidade e a inquietação espiritual deste povo.

Características Básicas - O movimento expressionista nasce na Alemanha por volta da 1905 seguindo a tendência de pintores do final do século XIX, como Cézanne, Gauguin, Van Gogh e Matisse, a fundação nesta data da sociedade dos artistas Die Brücke (A Ponte) marcou o início de uma nova forma de arte que se diferencia do fauvisme francês, principalmente no que se refere à sua emoção social. Advoga a explosão descontrolada da subjetividade e explora estados psicológicos mórbidos, sugerindo-os através de cenários distorcidos.

      Duas características podem ser consideradas fundamentais no movimento expressionista:

·         A reação contra o passado: o expressionismo não reage apenas contra este ou aquele movimento, contra o naturalismo ou os vários movimentos vigentes na Alemanha na época, mas reage, sem mais, contra todo o passado; é o primeiro movimento cultural que deve ser compreendido, antes de mais nada, por uma rebelião contra a totalidade dos padrões, dos valores do ocidente. A arte cessa de gravitar em torno de valores absolutos;

 

·         Sem dúvida temos uma filiação do expressionismo com o romantismo. A diferença fundamental é que no expressionismo o confessado não é de ninguém, o autobiográfico não tem rosto, a arte não manifesta a subjetividade de um Beethoven, pois, bem ao contrario, diz algo que em última análise releva do impessoal.

      Umas das grandes  influências vem sem dúvida de Freud, e isto por duas razões. Em primeiro lugar a psicanálise se liberta do passado. Transportando isto em termos de cultura, podemos dizer que a psicanálise se liberta da tradição, da história. Em segundo lugar, a perspectiva de Freud é a da subjetividade; ao contrário do que acontece na psicologia clássica, a raiz dessa nova subjetividade é impessoal: o inconsciente foge à alçada daquilo que se considerava ser a pessoa, e a subjetividade torna-se mais anônima.

      Se devêssemos escolher uma palavra para definir o expressionismo esta palavra seria o grito. Pois o expressionismo é o grito que brota de uma solidão radical, o grito de um homem identificado ao grito. Grita-se porque só resta o grito, expressão de um sem-sentido radical. Por isso é freqüente encontrarmos personagens destituídas de identidade; ou bem a identidade se fragmenta, chegando a plurificar-se em diversas personagens, ou então é negada, transformando a personagem em uma espécie de marionete.

      A tendência socializante do expressionismo ia tornando-se sempre mais forte suscitando, sempre com mais força, a intervenção da censura. Quando a Alemanha capitula ao Estado policial em 1933, o expressionismo passa a ser julgado "Arte degenerada" e é formalmente proibido de se expressar.

Autores expressionistas - A caixa de Pandora, de Frank Wedekind, Os burgueses de Calais, de Georg Kaiser, Os destruidores de máquinas, de Ernst Toller, R.U.R., do tcheco Karel Capek, e O dia do julgamento, do americano Elmer Rice, exibem também preocupação social, mostrando o homem em luta contra a mecanização desumanizadora da sociedade industrial, estudam os conflitos de geração e condenam o militarismo.

FUTURISMO


      Forte durante os anos 20. Na Itália glorifica a violência, a energia e a industrialização. Na URSS propõe a destruição de todos os valores antigos e a utilização do teatro como um meio de agitação e propaganda.

Autores futuristas - Os italianos, liderados por Filippo Tommaso Marinetti (O monoplano do papa), evoluem para o fascismo, enquanto os russos, tendo à frente Vladimir Maiakovski (O percevejo, Mistério bufo), usam o teatro para difundir o comunismo.

Teatro estilizado - Uma corrente busca colocar o irreal no palco, abandonando o apego excessivo à psicologia e ao realismo. Meyerhod é o encenador que leva mais longe essas propostas, lançando os fundamentos do que chama de "teatro estilizado".

Vsevolod Emilievich Meyerhold (1874-1940) nasce na Rússia, trabalha inicialmente como ator e começa como diretor teatral em 1905, indicado por Stanislavski. Dirige os teatros da Revolução e Meyerhold, encenando várias peças de